terça-feira, 20 de novembro de 2012

On the road

A propósito de uma conversa sobre liberdade

“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!”

Jack Kerouac



Venha a nós esta dose de saudável loucura que nos faz viver a vida com impaciência e nao ceder ao aconchego do conformismo.


Não ceder.
Não quero
Ceder.
Não
Quero
pela estrada fora
Livre?

sábado, 20 de outubro de 2012

Second life

Hoje vi-te, vida minha. Repousavas calmamente numa bandeja de metal carregada por umas figuras de uniforme. Quis abraçar-te, dizer-te da falta que me fazes e contar-te todos os projectos que tenho para nós, mas calei-me não vá o sobressalto  causar-nos desencontros.  Shiuuu... De  mim nem um ruído, que nem tenho coragem para te sonhar.  Vai tu fazendo uns planos, vai tu organizando as coisas que estou quase a chegar.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Camaleão





Ouvi-te entrar. Voltavas de viagem e recebi-te com um beijo e um abraço. Tive saudades tuas, disse-te e pareceu-me que sorrias. Já cá estou, respondeste. Deixei-te na entrada a sacudir a poeira da viagem, e fui-me sentando junto à janela a desfilar o exercicio da rotina. Quero ver-te, ouvir-te contar as histórias do percurso, mas a poeira demora-te os passos e preenche-te os gestos. Os dias passam e quando finalmente levanto os olhos estás vestido de amarelo e tens um pó fino a cobrir-te a alma. Voltei, ouço dizer. Observo-te. Quem és tu? Avanças com passos firmes em direcção à minha janela passeando pela trela um enorme camaleão.  Quem és tu? Não te encontro na figura empoeirada que desfila a rotina ao meu lado e apercebo-me que continuo com saudades tuas. Queria tanto que tivesses regressado. Foi uma surpresa ver que agora só usas amarelo.

sábado, 13 de outubro de 2012

Poema

DURANTE O SONO
Durante o sono retiraram-me uma costela
Ficou-me no peito um vazio que não consigo preencher
Custa-me a respirar
Eu quero de volta a minha costela
quero de volta todas as costelas
Quero de volta o paraíso
quero de volta o silêncio rumorejante
quero de volta as poluções nocturnas
e diurnas
Quero uma mulher
feita de chuva
e vento
e fogo
e neve
e luz
e breu
e não de argila
como eu
Poema de Jorge Sousa Braga

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A gaveta da cómoda



Só vale a pena escrever isto porque não me lês. Se me lesses, nem que fosse nas entrelinhas saberias que não te escrevo. Sinto-te mas não te escrevo. Ás vezes apetece-me contar-te, abraçar-te com as palavras, escrever-me! Mas resisto sempre a que me leias os sentimentos. Coisas minhas.
Guardo o que tenho por ti na primeira gaveta da cómoda. E às vezes até te esqueço. Mas tu insistes em regressar nas asas da luz da manha. E, de mansinho, abres a gaveta da cómoda e puxas de mim as letras que já não lês.
No dia em que me leres,  escrevo-te em inglês e, assim, não escrevo a saudade.  Para não me leres.

domingo, 26 de agosto de 2012

Até sempre Neil

Esta é uma das minhas fotos preferidas. Pela beleza incontestável desta pequena meia laranja azul suspensa no vazio, pela insignificancia a que nos reduz a nós, minusculos seres que a habitamos, esmagando a nossa presunção de sermos o centro do mundo e pelo sonho encerrado no momento mágico em que foi tirada, a bordo da Apolo 11. 
No dia em que desapareceu Neil Armstrong aqui fica como lembrança. Um olhar para a eternidade. 
Obrigada Neil