Hoje foi de espátula. Teve que ser porque a faca já estava romba e tornou-se indisfarçável a inutilidade. E antes que alguém reparasse e apontasse a minha fragilidade, peguei na espátula e voltei diligentemente ao trabalho. Raspa...Raspa..Doem-me as mãos e o coração. Raspo... Raspo... onde consigo chegar mais fundo a pele começa a exibir as cicatrizes da saudade, mas no geral é inutil. Raspo... Estás em mim. Raspo-te... Não adianta. Descolo-te e desato-te, mas há sítios onde te fundiste comigo e eu já nem sei onde começas tu e acabo eu. Como foi possível? De onde viste tu? Que faço agora com os teus pedaços?
Vou pegar no cinzel e esculpir uma armadura enquanto finjo que já cá não estás.
sábado, 2 de junho de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Take it or leave it
Incomoda-me a fraqueza de não se enfrentar. Disse o Pessoa que "o poeta é um fingidor". Pois eu, nunca escreverei poesia. Sei há muito tempo, demasiado tempo talvez, que em mim a verdade é como o azeite e vem sempre ao cimo. Sei há muito tempo que não sei fingir gestos, olhares, palavras. E há muito tempo que deixei de me tingir de mentira, de fazer slalom com a minha consciência quando ela mete prego a fundo em busca da minha verdade. Assim, há muito tempo que deixei de fugir de mim e aprendi a aceitar-me com todas as dores que traz a crueza da imperfeição não disfarçada. Sou assim. Tal e qual. Sou eu. Mas tenho plena noção de que é sempre possível melhorar. E todos os dias luto para a minha verdade ser mais doce, mais tolerante, as vezes menos verdadeira. Há batalhas que vou ganhando e outras em que lutarei toda a vida incapaz de desistir de me tornar numa das "boas raparigas"mas aceitando, sem me cobrar, o privilégio de "ir a todo o lado".
Se as desvantagens desta forma de ser que me calhou na rifa da genética e na roleta da educação são óbvias, há algumas vantagens, para os outros, principalmente. Comigo não se criam expectativas. Em mim, o que parece ser...é! O meu interlocutor facilmente escolhe "take it or leave it" e sabe que nao leva gato por lebre. Para o melhor e para o pior.
Há muito tempo que decidi que não andava aqui a enganar ninguém, muito menos a mim própria. É isso que me faz ser feliz porque assim tenho a certeza que nas minhas lutas não há danos colaterais e muito menos prisioneiros.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Mon coeur
Prends mon coeur. C'ést à toi pour ecouter, pour elever, pour soigner. Avec mon couer dans tes mains, je ne me sens pas vide. Prends le!
C'est à toi mon coeur. Aurevoir solitude.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A opinião do Especialista
Só um cardiologista, um especialista na fisiologia, na morfologia e em todas as ciências que se ocultam no coração sabe responder. Só um especialista que já olhou milhares de corações olhos nos olhos sabe a resposta. Por isso perguntei: João, tu que és Cardio, achas que amamos com o coração? E o meu Especialista, que destrói os corações de ratos na esperança de um dia construir o dos homens, do alto da sua medicina baseada na evidência, disse.
- Acho que devíamos amar com o coração e teimamos em amar com a cabeça.
E eu concordei.
Conversado no tweeter com o @JoaoPedroL
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Analfabetos nós?
O SOLDADO
Não sei ler...
O DIABO
Não sabe ler? Nem precisa.
É um livro para ler sem se saber ler.
É um livro... eu lhe digo,
que se lê a si próprio; lê-se a quem o tem.
Basta abrir e cai tudo.
É um... cofre-forte.
Abre-se e tiram-se...
Títulos!
Dinheiros!
OURO!
O SOLDADO
Gostava de ver primeiro.
C.F. RAMUZ (1878-1947), História do Soldado
(versão de Mário Cesariny)
Não sei ler...
O DIABO
Não sabe ler? Nem precisa.
É um livro para ler sem se saber ler.
É um livro... eu lhe digo,
que se lê a si próprio; lê-se a quem o tem.
Basta abrir e cai tudo.
É um... cofre-forte.
Abre-se e tiram-se...
Títulos!
Dinheiros!
OURO!
O SOLDADO
Gostava de ver primeiro.
C.F. RAMUZ (1878-1947), História do Soldado
(versão de Mário Cesariny)
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